Crítica Literária

VIVER É A MELHOR OPÇÃO

Autor: André Trigueiro
Médium: – x –
Editora: Correio Fraterno
Número de Páginas: 190
Lançamento: Maio de 2015

Análise de Marcus De Mario*

Você sabia que 90% dos casos de suicídio são preveníveis? Mas, para isso, precisamos trabalhar muito, e com informação, para diminuir as estatísticas de autoextermínio que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), chegam a 800 mil casos por ano no mundo. Então fica uma pergunta: como fazer isso? Segundo o jornalista e escritor André Trigueiro, além da informação e do necessário planejamento, é preciso ter a coragem de se retirar o véu que há séculos encobre esse tema. É o que aprendemos no seu excelente livro Viver é a Melhor Opção, lançado pela editora Correio Fraterno.

A partir das informações oficiais da OMS e do Ministério da Saúde do Brasil, André Trigueiro traça um roteiro claro e objetivo do grave problema do suicídio, suas causas, suas consequências e a prevenção que deve ser feita tanto por instituições públicas quanto por organizações não governamentais, assim como por todos nós que devemos realizar esforços no sentido de colocar em prática o amai-vos uns aos outros.

Embora na literatura espírita tenhamos várias obras sobre o assunto, entre elas Memórias de Um Suicida, do Espírito Camilo através da mediunidade de Yvonne Pereira, ou outro livro também muito importante como Suicídio e Suas Consequências, de Gerson Simões Monteiro, e tenhamos a Campanha Em Defesa da Vida, do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, a obra de André Trigueiro tem destaque especial porque é, ao mesmo tempo, literatura jornalística e literatura reflexiva, culminado o autor com magistral capítulo sobre a visão espírita da vida e do autoextermínio.

Viver é a Melhor Opção insere-se como um antídoto ao ato do suicídio, que é um atentado contra a vida, um desrespeito à lei divina, e um equívoco de quem tenta praticá-lo ou consuma o ato, pois a vida não termina no túmulo, a morte não existe, e o suicida, agora um Espírito despojado do corpo, mas plenamente consciente de si e do que fez, continuará com os mesmos problemas conscienciais, agravados pelo sofrimento diante das consequências da cessação da vida de forma brutal, e ainda tendo que assistir a decomposição do seu antigo corpo e o sofrimento dos familiares e amigos.

No primeiro capítulo somos apresentados aos números sobre o suicídio, considerado um fenômeno mundial e caso de saúde pública. Ficamos então sabendo que aproximadamente 804 mil pessoas por ano cometem o suicídio em todo o mundo. São 2.200 casos consumados por dia,. Um a cada 40 segundos. Entre as mortes violentas o suicídio representa 56% de todos os óbitos. A maior incidência da taxa de suicídio está entre os mais idosos e também entre os jovens, o que é muito preocupante. Há mais suicídios entre os homens (15 para cada 100 mil) do que entre as mulheres (8 para cada 100 mil). Para cada pessoa que consegue se suicidar, mais de 20 tentam se matar sem sucesso uma ou mais vezes.

Se tudo isso já assusta, outro fato constatado pelas pesquisa chamam a nossa atenção: o suicídio, ou autoextermínio, não escolhe classe social ou lugar, acontece entre os mais pobres e os mais ricos, entre os que estão estabilizados socialmente e os que estão em momentânea de crise. Pode atingir a qualquer um. Um estado depressivo, por exemplo, pode desencadear a tentativa.

Discutindo o papel das mídias na informação e prevenção ao suicídio, André Trigueiro mostra que o assunto não deve ser ocultado, e também não deve ser escandalizado. Os meios de comunicação precisam encontrar o meio termo, passando informações que preservam a vida de forma equilibrada. Pesquisas mostram que onde existe informação as taxas de suicídio tendem a diminuir. E não apenas informação, pois ações concretas precisam ser colocadas em prática, como a instalação de redes protetoras em pontes, a maior rigidez na legislação sobre porte de armas de fogo e assim por diante.

Também merece destaque o trabalho de diversas organizações sociais no atendimento às pessoas que procuram um ouvido amigo para desabafar, para encontrar um apoio. E ficamos conhecendo o trabalho, aqui no Brasil, do Centro de Valorização da Vida (CVV), que desde 1962 realiza intenso trabalho de salvar vidas através do atendimento telefônico. Basta ligar para 141 e um voluntário do outro lado da linha, devidamente preparado, irá atender.

Informa o autor, na apresentação, que há momentos em que a vida se torna um fardo e muitos de nós perdemos a coragem de seguir em frente. Essa experiência é mais comum do que se imagina, embora ninguém goste muito de falar a respeito ou não tenha com quem compartilhar esses momentos difíceis. Quanto maior a tristeza, a melancolia ou a depressão, maior o isolamento ou a culpa por não estar de bem com a vida. São muitos os caminhos que levam ao suicídio. Tragicamente, a sociedade ignora a gravidade da situação e a urgência de algumas medidas que poderiam atenuar esse problema, considerado de saúde pública no Brasil e no mundo. Tenho procurado compreender melhor este universo complexo do comportamento humano, onde o ato suicida ainda causa muita perplexidade e dúvidas. Longe de ser um especialista, tento como jornalista entender o que está sendo feito e de que jeito podemos contribuir para estancar a imensa dor que leva uma pessoa a cometer esse ato extremo.

Pois bem, se não é um especialista, o chamado suicidólogo, André Trigueiro é competente jornalista e, sem dúvida, consegue amplo entendimento sobre o assunto, o que está acontecendo na atual massa sócio-cultural humana, o que está sendo feito e o que pode ser feito na prevenção, com o foco no atendimento às dores humanas, para que o suicídio não seja considerado uma saída, e sim uma porta aberta equivocadamente e de tristes consequências.

Como dissemos, o último capítulo do livro Viver é a Melhor Opção é dedicado à visão espírita do tema. Composto de vários itens: Do outro lado da vida; O sentido da vida; Como os espíritas lidam com o suicida?; O suicídio indireto; A importância da psicosfera; Depressão: as possíveis origens no mundo espiritual; O difícil desligamento do corpo; O suicídio e o abalo no perispírito; O umbral; Prevenção na Terra, apoio no plano espiritual e A divina providência, desse último item destacamos a seguinte fala:

Como se vê, o arsenal de que dispomos para sacudir a poeira e dar a volta por cima é generoso e encontra-se acessível para quem o deseje. O mais importante é perceber que nenhum sofrimento dura para sempre. Por mais assustadora que seja a tempestade, ela sempre passa. Se o hoje te parece desagradável e angustiante, espera e confia. A melhor saída é a vida.

Embora o livro não possa ser classificado como de auto-ajuda, é também uma mensagem de esperança aos corações angustiados, e um reforço à fé dos trabalhadores do bem no alívio da dor e do sofrimento. É, igualmente, um alerta às autoridades públicas e a toda a sociedade, e um puxão de orelha para as mídias.

Repetindo o autor, falar de suicídio pode salvar vidas e, temos certeza, a leitura desse livro salvará muitas, inúmeras, centenas e milhares de vidas, pois ele é um detonador de ações de esclarecimento e prevenção, que tanto necessitamos.

*Marcus De Mario é Educador, Escritor e Palestrante. Diretor Cultural da Rádio Rio de Janeiro. Diretor Geral do Instituto Brasileiro de Educação Moral. Editor do site Orientação Espírita. Colaborador do Grupo Espírita Seara de Luz (Rio de Janeiro,RJ).